Depois de dois meses de votação popular (mais de 380 mil votos) e três semanas de deliberações do Colégio Eleitoral (188 integrantes), a Fundação Focus Brasil reuniu – da mídia brasileira e integrantes dos Boards de Premiação na noite de 17 de março, no Café Vico, em Fort Lauderdale, para anunciar os ganhadores dos Prêmios de Arte, Cultura & Comunidade, além dos Prêmios Especiais do Board.
O livro Comando Verde ganhou o troféu na categoria Literatura (melhor livro de 2014).
Mais do que nunca a abrangência nacional do Press Awards ficou evidente, com premiações dos estados de Massachusetts, New York, New Jersey, Georgia, Flórida, Texas e Illinois. O evento foi transmitido ao vivo pela Motion TV, através do site pressaward.com. Foi a primeira vez que o anúncio dos vencedores foi transmitido pela internet.
Em 2014 a cerimônia de premiação de Arte & Cultura foi transmitida ao vivo com mais de 27.000 pessoas acompanhando. Arte, Cultura & Comunidade A parte final do evento no Café Vico foi dedicada aos tradicionais prêmios de Arte, Cultura e Comunidade, com a jornalista e produtora Maria Fulfaro como mestre de cerimônias e cabendo a representantes das diversas mídias presentes, anunciar os vencedores em cada categoria, após Fulfaro enumerar os cinco indicados em cada uma delas. E não faltaram surpresas, com favoritos sendo desbancados por novos nomes, como também, refletindo o alcance do evento em todo o território norte-americano. Os vencedores:
• Artes Visuais: Margarette Mattos (MA) e Antonio Oliveira (NY)
• Fotografia: Fabiano Silva (FL)
• Folclore: Gil Santos (FL)
• Teatro: “A Paixão de Cristo” (MA)
• Ator: Marco de Ornellas (NY)
• Atriz: Alana Rosa (NY)
• Cinema & Vídeo: “O Cordel do Abraço” (MA)
• Literatura: “Comando Verde”, de Marcos Ommati e Fernando Montenegro
• Esportes: Anderson Varejão (NBA)
• Celebração do Brasil: Brazilian Day Festival of Allanta (GA)
• Evento Comunitário: Business Expo Massachusetts (MA)
• Evento Cultural: ArtBrazil at ARTServe (FL)
• DJ: Luis Paulo “Lupa” (FL)
• Cantor: Rodrigo Costa (NJ)
• Cantora: Fernanda Noronha (GA)
• Dupla: William & Wilmar (MA)
• Grupo Musical: Banda Azaração (MA)
• Músico: Thiago Tibério (NY)
• CD: “Toda Bossa”/ Joana Nova Iorque (NY) e “Fusion Crush) / Sérgio Hazam featuring Michelle Amato
• Show Local: “The Girl From Ipanema”/ Beatriz Malnic (FL)
• Show on Tour: Lucy Alves
• Instituição Cultural: Evanston Escola de Samba de Chicago (IL)
Friday, June 5, 2015
Mulheres Combatentes
Coronel Fernando Montenegro*
A sociedade americana tem uma aceitação cultural peculiar sobre o assunto. No Cemitério Militar de Arlington, nos EUA, a alguns quilômetros do Pentágono (Washington, DC), existe uma parte dedicada especificamente à participação das mulheres em conflitos armados. O tema já foi abordado de uma forma romântica em filmes como “Até o Limite da Honra” (G.I. Jane-1997), protagonizado por Demi Moore, “Recruta Benjamim” (Private Benjamim-1980), com Goldie Hawn, dentre outros. Normalmente, busca-se apresentar o sexo feminino em igualdade de condições para desempenhar as atividades de combate.
Estatisticamente, os homens são superiores quando se compara força física e capacidade de transporte para carregar peso. Trata-se de uma diferença fisiológica que não pode ser ignorada. Além de estarem sujeitas ao ciclo menstrual (que interfere também na capacidade psicológica de algumas mulheres), as mulheres normalmente têm 11% a mais de gordura corporal e 8% a menos de massa muscular; lembremos que “o combate não faz concessões”. Esses aspectos influenciam diretamente no cumprimento da missão. Obviamente, isso não quer dizer que não existem mulheres com desempenho melhor do que o de muitos homens.
O regime democrático busca garantir igualdade de direitos a seus cidadãos em todos os aspectos, inclusive na possibilidade de arriscar a vida defendendo seu país. Baseando-se nessa premissa, no final de janeiro, o Pentágono autorizou a participação do sexo feminino nas atividades da linha de frente. A atitude não é pioneira; teoricamente França, Austrália e Alemanha já adotaram essa prática. Além disso, na guerra assimétrica (predominante no contexto atual), a definição georeferenciada do campo de batalha é muito difícil; carros-bombas podem ser lançados em postos de comando, militares são abatidos por snipers em regiões consideradas relativamente seguras e civis são sequestrados por terroristas.
As Forças Armadas Americanas contam com quase 1,5 milhão de militares, dentre os quais cerca de 210 mil são mulheres. Embora ainda não haja mulheres nas tropas de Infantaria, Rangers e Operações Especiais, algumas delas (socorristas, pilotas, mecânicas de aeronaves, dentre outras funções) já vêm participando diretamente das atividades de combate desde 2001.
O Exército Brasileiro incorporou suas primeiras mulheres no início da década de 90, apenas para atividades de apoio e administrativas. Posteriormente, vieram as médicas, engenheiras, veterinárias e enfermeiras. O Exército Brasileiro já forma mulheres no Curso Básico de Paraquedismo Militar e já formou mulheres no Curso de Operações na Selva. A ressalva é que os índices exigidos para elas são bem inferiores aos índices masculinos. Além disso, não há registrada nenhuma participação direta em atividades de combate.
Fazendo uma visualização, provavelmente apenas as mulheres da área de saúde (técnicas de enfermagem e médicas) e de comunicações seriam realmente empregadas na linha de frente. As oportunidades de emprego de tropas brasileiras são raras, tornando difícil ser conclusivo quanto a isso.
Tive a sorte de ter formado as duas primeiras guerreiras de selva do Brasil no Centro de Instrução de Guerra na Selva, em 2010, quando era Chefe da Divisão de Ensino. Não foi por iniciativa minha, nem criei os índices físicos de admissão; cumpri ordens com muita disciplina intelectual (e ainda era contra, assim como toda a equipe de instrução). Afirmo que os índices físicos exigidos eram significativamente inferiores aos dos homens e, mesmo assim, apenas duas (dentre dez voluntárias) foram aprovadas. Contudo, as duas concluíram o curso, que foi realizado juntamente com 35 homens (que foram aprovados no processo de seleção específico masculino). Quero destacar que as exigências durante o curso foram as mesmas para todos os alunos, e ainda tivemos uma desistência do sexo masculino na segunda semana. O desempenho físico e intelectual delas, como alunas, não deixou a desejar em nada, nem mesmo no peso da mochila.
Posteriormente, comandando a Força Tarefa Sampaio na ocupação do Complexo do Alemão (2011) e no Complexo da Penha (2012), empreguei mulheres (policiais militares, dentistas e médicas) no terreno, em apoio aos grupos de combate de Infantaria, para revistar transeuntes em pontos de controle. Nessa ocasião, o seu desempenho foi bastante elogiado.
Acredito que deve haver uma exigência igual para ambos os sexos, específica para cada tipo de missão, não só na avaliação intelectual, como também na psicológica e física. É leviano inserir um integrante despreparado e desqualificado, seja ele do sexo que for, em uma missão de alto risco, apenas para garantir igualdade democrática. Algumas atividades, mesmo para militares qualificados fisicamente, podem gerar também sequelas físicas graves e irreversíveis, como hérnia de disco, por exemplo. Logicamente, poderão existir missões para as quais o perfil indicado seja justamente o de mulheres. Tudo vai depender da situação.
Outro desdobramento que tem criado vários embaraços aos comandantes americanos é o do assédio sexual. Se, por um lado, têm ocorrido inúmeros casos de estupro insolúveis (pela dificuldade de identificação, materialização de provas, dentre outros aspectos), por outro lado, qualquer elogio de um companheiro na mesa do rancho, mensagem de texto, observação em redes sociais ou brincadeira pode ser passível de interpretação e acusação de assédio sexual.
Assim sendo, creio que o assunto vai continuar com o seu processo de amadurecimento e a gestão dos fatos pelos comandantes e assessores jurídicos irá conduzir ao aperfeiçoamento da participação das mulheres nas Forças Armadas ao redor do mundo.
*Fernando Montenegro é Coronel/R1 do Exército brasileiro, de Forças Especiais, Comandos e Paraquedista, especialista em Contraterrorismo e, por duas vezes, comandante de uma Força Tarefa Valor Batalhão de Infantaria Leve
Este artigo foi publicado originalmente na Revista Operacional.
Estatisticamente, os homens são superiores quando se compara força física e capacidade de transporte para carregar peso. Trata-se de uma diferença fisiológica que não pode ser ignorada. Além de estarem sujeitas ao ciclo menstrual (que interfere também na capacidade psicológica de algumas mulheres), as mulheres normalmente têm 11% a mais de gordura corporal e 8% a menos de massa muscular; lembremos que “o combate não faz concessões”. Esses aspectos influenciam diretamente no cumprimento da missão. Obviamente, isso não quer dizer que não existem mulheres com desempenho melhor do que o de muitos homens.
O regime democrático busca garantir igualdade de direitos a seus cidadãos em todos os aspectos, inclusive na possibilidade de arriscar a vida defendendo seu país. Baseando-se nessa premissa, no final de janeiro, o Pentágono autorizou a participação do sexo feminino nas atividades da linha de frente. A atitude não é pioneira; teoricamente França, Austrália e Alemanha já adotaram essa prática. Além disso, na guerra assimétrica (predominante no contexto atual), a definição georeferenciada do campo de batalha é muito difícil; carros-bombas podem ser lançados em postos de comando, militares são abatidos por snipers em regiões consideradas relativamente seguras e civis são sequestrados por terroristas.
As Forças Armadas Americanas contam com quase 1,5 milhão de militares, dentre os quais cerca de 210 mil são mulheres. Embora ainda não haja mulheres nas tropas de Infantaria, Rangers e Operações Especiais, algumas delas (socorristas, pilotas, mecânicas de aeronaves, dentre outras funções) já vêm participando diretamente das atividades de combate desde 2001.
O Exército Brasileiro incorporou suas primeiras mulheres no início da década de 90, apenas para atividades de apoio e administrativas. Posteriormente, vieram as médicas, engenheiras, veterinárias e enfermeiras. O Exército Brasileiro já forma mulheres no Curso Básico de Paraquedismo Militar e já formou mulheres no Curso de Operações na Selva. A ressalva é que os índices exigidos para elas são bem inferiores aos índices masculinos. Além disso, não há registrada nenhuma participação direta em atividades de combate.
Fazendo uma visualização, provavelmente apenas as mulheres da área de saúde (técnicas de enfermagem e médicas) e de comunicações seriam realmente empregadas na linha de frente. As oportunidades de emprego de tropas brasileiras são raras, tornando difícil ser conclusivo quanto a isso.
Tive a sorte de ter formado as duas primeiras guerreiras de selva do Brasil no Centro de Instrução de Guerra na Selva, em 2010, quando era Chefe da Divisão de Ensino. Não foi por iniciativa minha, nem criei os índices físicos de admissão; cumpri ordens com muita disciplina intelectual (e ainda era contra, assim como toda a equipe de instrução). Afirmo que os índices físicos exigidos eram significativamente inferiores aos dos homens e, mesmo assim, apenas duas (dentre dez voluntárias) foram aprovadas. Contudo, as duas concluíram o curso, que foi realizado juntamente com 35 homens (que foram aprovados no processo de seleção específico masculino). Quero destacar que as exigências durante o curso foram as mesmas para todos os alunos, e ainda tivemos uma desistência do sexo masculino na segunda semana. O desempenho físico e intelectual delas, como alunas, não deixou a desejar em nada, nem mesmo no peso da mochila.
Posteriormente, comandando a Força Tarefa Sampaio na ocupação do Complexo do Alemão (2011) e no Complexo da Penha (2012), empreguei mulheres (policiais militares, dentistas e médicas) no terreno, em apoio aos grupos de combate de Infantaria, para revistar transeuntes em pontos de controle. Nessa ocasião, o seu desempenho foi bastante elogiado.
Acredito que deve haver uma exigência igual para ambos os sexos, específica para cada tipo de missão, não só na avaliação intelectual, como também na psicológica e física. É leviano inserir um integrante despreparado e desqualificado, seja ele do sexo que for, em uma missão de alto risco, apenas para garantir igualdade democrática. Algumas atividades, mesmo para militares qualificados fisicamente, podem gerar também sequelas físicas graves e irreversíveis, como hérnia de disco, por exemplo. Logicamente, poderão existir missões para as quais o perfil indicado seja justamente o de mulheres. Tudo vai depender da situação.
Outro desdobramento que tem criado vários embaraços aos comandantes americanos é o do assédio sexual. Se, por um lado, têm ocorrido inúmeros casos de estupro insolúveis (pela dificuldade de identificação, materialização de provas, dentre outros aspectos), por outro lado, qualquer elogio de um companheiro na mesa do rancho, mensagem de texto, observação em redes sociais ou brincadeira pode ser passível de interpretação e acusação de assédio sexual.
Assim sendo, creio que o assunto vai continuar com o seu processo de amadurecimento e a gestão dos fatos pelos comandantes e assessores jurídicos irá conduzir ao aperfeiçoamento da participação das mulheres nas Forças Armadas ao redor do mundo.
*Fernando Montenegro é Coronel/R1 do Exército brasileiro, de Forças Especiais, Comandos e Paraquedista, especialista em Contraterrorismo e, por duas vezes, comandante de uma Força Tarefa Valor Batalhão de Infantaria Leve
Este artigo foi publicado originalmente na Revista Operacional.
Ex-comandante da Operação Arcanjo discute problemas atuais de segurança do Brasil no SOUTHCOM
Claudia Sánchez-Bustamante/DIÁLOGO
Uma das memórias vivas na mente do coronel brasileiro da reserva Fernando Montenegro, agora no início de sua vida como civil, é sua última atribuição na ativa como comandante de batalhão em uma missão de manutenção da paz durante as operações Arcanjo, responsáveis pela pacificação dos complexos do Alemão e da Penha, no Rio de Janeiro, e pela manutenção da ordem pública, levando a segurança a seus habitantes e livrando a área dos traficantes de drogas e criminosos que a dominaram durante décadas.
Por que as memórias se destacam? Porque em sua atual função como consultor, analista e redator contribuinte de segurança e inteligência em diversas publicações especializadas, incluindo Diálogo, o Coronel Montenegro recorre a muitas ações adotadas pelo Exército brasileiro durante os esforços de pacificação para explicar a importância das operações psicológicas e das campanhas de informação no apoio às missões militares.
Com sua experiência e conhecimentos, Montenegro tem opiniões interessantes sobre a atual situação do Brasil, no momento em que o país se prepara para sediar alguns dos maiores e mais importantes eventos de sua história, e os problemas que surgem no caminho, aos olhos do mundo. “Minha perspectiva vem de um passado em que atuei como coronel do Exército e das Forças Especiais, com experiência pessoal no combate ao terrorismo, no controle das fronteiras e na pacificação das favelas, e assim sendo minha análise se baseia apenas nesse valor agregado”, diz ele.
Para discutir isso, apenas do ponto de vista de um especialista civil em segurança e inteligência, Montenegro visitou o Comando Sul dos EUA (SOUTHCOM) no dia 13 de agosto. “Eu compreendo a importância de se criar um entendimento mais profundo da atual situação do Brasil, dos protestos populares, das questões de segurança pública e do aumento na infraestrutura de forma integrada, tendo em mente que os veículos de mídia muitas vezes não conseguem transmitir essa imparcialidade”, acrescentou.
Em uma sala lotada de especialistas em segurança, tanto civil quanto militares, Montenegro fez uma análise detalhada da mobilização em massa que significa para o país sediar eventos de tal magnitude, do imprescindível apoio econômico aí envolvido e dos fantásticos esforços de coordenação e planejamento necessários para se obter o sucesso. Ou seja, a questão da segurança privada está sendo revista no momento para atender às necessidades da nova realidade da nação e cumprir os requisitos impostos pelos órgãos administradores, tais como a FIFA, em relação à Copa do Mundo de 2014.
O ex-coronel das Forças Especiais também declarou que durante a visita do papa ao Brasil para a Jornada Mundial da Juventude, há poucas semanas, uma concentração de 3,5 milhões de fiéis ocupou a famosa região da Praia de Copacabana, uma faixa de não mais do que 4 quilômetros de extensão e 300 metros de largura. Essa foi a primeira vez em que uma multidão tão numerosa de pessoas se mobilizou – em parte graças às redes sociais – em uma área desse tamanho.
Felizmente tudo transcorreu sem problemas, resultado de cuidadoso planejamento, coordenação e colaboração de logística das diversas autoridades que trabalharam em conjunto.
No entanto, as estratégias sólidas de segurança para manter tais tipos de eventos “sob controle” são contestadas a cada novo evento, mais ainda ultimamente, em consequência de alguns grupos que se aproveitam dos acontecimentos para atrair a atenção através da violência. Além disso, o jornalismo cidadão “divulga” todos os aspectos dos eventos no momento em que ocorrem, compartilhando o bom, o mau e o feio com o mundo todo, muitas vezes até antes que as autoridades tenham a oportunidade de analisar as lições aprendidas com experiências anteriores para prever as ações futuras.
O Brasil e suas forças militares e de segurança têm realmente um longo caminho a percorrer nos próximos três ou quatro anos. “O Brasil é a bola da vez!”, disse Montenegro. E o mundo está assistindo.
Por que as memórias se destacam? Porque em sua atual função como consultor, analista e redator contribuinte de segurança e inteligência em diversas publicações especializadas, incluindo Diálogo, o Coronel Montenegro recorre a muitas ações adotadas pelo Exército brasileiro durante os esforços de pacificação para explicar a importância das operações psicológicas e das campanhas de informação no apoio às missões militares.
Com sua experiência e conhecimentos, Montenegro tem opiniões interessantes sobre a atual situação do Brasil, no momento em que o país se prepara para sediar alguns dos maiores e mais importantes eventos de sua história, e os problemas que surgem no caminho, aos olhos do mundo. “Minha perspectiva vem de um passado em que atuei como coronel do Exército e das Forças Especiais, com experiência pessoal no combate ao terrorismo, no controle das fronteiras e na pacificação das favelas, e assim sendo minha análise se baseia apenas nesse valor agregado”, diz ele.
Para discutir isso, apenas do ponto de vista de um especialista civil em segurança e inteligência, Montenegro visitou o Comando Sul dos EUA (SOUTHCOM) no dia 13 de agosto. “Eu compreendo a importância de se criar um entendimento mais profundo da atual situação do Brasil, dos protestos populares, das questões de segurança pública e do aumento na infraestrutura de forma integrada, tendo em mente que os veículos de mídia muitas vezes não conseguem transmitir essa imparcialidade”, acrescentou.
Em uma sala lotada de especialistas em segurança, tanto civil quanto militares, Montenegro fez uma análise detalhada da mobilização em massa que significa para o país sediar eventos de tal magnitude, do imprescindível apoio econômico aí envolvido e dos fantásticos esforços de coordenação e planejamento necessários para se obter o sucesso. Ou seja, a questão da segurança privada está sendo revista no momento para atender às necessidades da nova realidade da nação e cumprir os requisitos impostos pelos órgãos administradores, tais como a FIFA, em relação à Copa do Mundo de 2014.
O ex-coronel das Forças Especiais também declarou que durante a visita do papa ao Brasil para a Jornada Mundial da Juventude, há poucas semanas, uma concentração de 3,5 milhões de fiéis ocupou a famosa região da Praia de Copacabana, uma faixa de não mais do que 4 quilômetros de extensão e 300 metros de largura. Essa foi a primeira vez em que uma multidão tão numerosa de pessoas se mobilizou – em parte graças às redes sociais – em uma área desse tamanho.
Felizmente tudo transcorreu sem problemas, resultado de cuidadoso planejamento, coordenação e colaboração de logística das diversas autoridades que trabalharam em conjunto.
No entanto, as estratégias sólidas de segurança para manter tais tipos de eventos “sob controle” são contestadas a cada novo evento, mais ainda ultimamente, em consequência de alguns grupos que se aproveitam dos acontecimentos para atrair a atenção através da violência. Além disso, o jornalismo cidadão “divulga” todos os aspectos dos eventos no momento em que ocorrem, compartilhando o bom, o mau e o feio com o mundo todo, muitas vezes até antes que as autoridades tenham a oportunidade de analisar as lições aprendidas com experiências anteriores para prever as ações futuras.
O Brasil e suas forças militares e de segurança têm realmente um longo caminho a percorrer nos próximos três ou quatro anos. “O Brasil é a bola da vez!”, disse Montenegro. E o mundo está assistindo.
Thursday, June 4, 2015
Estado de SÍTIO no RIO. Coronel é criticado por deixar claro que MILITARES não podem trabalhar no “JEITINHO”
Essa semana moradores de FAVELAS cariocas reclamaram de declarações de militar do Exército que disse que o correto seria declarar um estado de exceção nos locais onde as Forças Armadas vão agir, com toque de recolher e proibição de reunião pública entre moradores.
O militar reclamou que os efetivos do Exército quando estão no local vivem uma situação de guerra, não se abandona a região em hipótese alguma, todos os militares permanecem alerta TODO o tempo.
O militar também lembra que os policiais que trabalham na área vivem uma situação completamente diferente, atuam de forma rotineira.
“Polícia tem um sistema de rodízio. O policial fica ali um tempo e depois vai embora. Muitos deles fazem atividade paralela, onde têm uma outra fonte de renda …”, disse o Coronel do Exército.
Estive na região recentemente, presenciei situações que me deixaram com a certeza de que o Rio está em situação caótica. Vi pessoas ironizando os militares enquanto patrulhavam e vi outros até enrolando cigarros de maconha e fumando enquanto a tropa passava em sua frente.
Pelo que o oficial conta, a maneira de trabalhar na maré, em que autoridades querem forçar militares das forças armadas a serem simpáticos, como se fossem agentes sociais fardados, não é coerente. Uma arma tem que ser carregada por alguém que recebe autoridade do estado para ser eficaz, e não para ser político.
“ essa mania do brasileiro de fazer o jeitinho deixa mais complicado de você fazer a coisa funcionar do jeito que tem que ser. As Forças Armadas não podem errar porque depois não tem ninguém para chamar.”
‘O bandido tem muito mais liberdade do que a tropa para atuar. … Existem princípios de uso proporcional da força. Se uma pessoa está para te dar uma facada, você não pode dar um tiro nela. Isso é muito complicado.”
Todos já assistimos vídeos em que moradores afrontam militares do Exército e tentam reduzir sua autoridade, Durante as rondas se ouve xingamentos de dentro das vielas e todo o tempo adolescentes fazem algum tipo de piadinha, sem contar as emboscadas e tiroteios freqüentes, que já ceifaram a vida de alguns militares.
As autoridades fracassaram repetidamente ao longo de mais de uma década e hoje chegamos a um estado em que andar pelo Rio de janeiro se tornou algo perigoso. Errar o caminho em alguns locais da Avenida Brasil significa uma sentença de morte. Atirar os militares federais dentro desses ninhos de cobra sem lhes dar ferramentas corretas e amparo legal para trabalhar é uma covardia.
Os moradores que reclamaram das declarações, pela própria idade e pelo meio em que “vivem”, não tem a mínima capacidade de avaliar o que é uma situação normal. Vivem, desde que se entendem por gente, sob o jugo de traficantes – crianças e acham que isso é algo normal. São submetidos a cerceamento de expressão e a leis de silêncio pelos líderes de suas comunidades, se reclamarem são executados. Mas, acham isso normal.
Uma das pessoas que reclamou foi a moradora Lúcia Cabral, coordenadora do Centro de Referência dos Direitos Humanos do Complexo do Alemão.
Robson A.D.SIlva — Revista Sociedade Militar //
Moradores de favelas repudiam visão de militar sobre 'estado de sítio' na Maré
Coronel Fernando Montenegro defendeu tese em relação ao complexo de favelas em entrevista ao DIA
Juliana Dal Piva
Rio - As declarações do coronel da reserva do Exército Fernando Montenegro
foram recebidas com tristeza e perplexidade por moradores dos Complexos do
Alemão e da Maré. Montenegro foi comandante em 2010 de uma das duas
forças-tarefa da pacificação do Complexo do Alemão e defendeu ontem em
entrevista ao DIA que fosse instalada uma espécie de estado de
sítio na Maré.
“Como vai garantir o direito do cidadão à liberdade? Onde fica o ser humano vivendo numa favela sitiada?”, questionou Lúcia Cabral, moradora do Alemão e coordenadora do Centro de Referência dos Direitos Humanos do Complexo. Ela diz que ficou em choque ao ler a defesa das ações armadas feita pelo militar. “Achei assustador. O poder público vive dizendo que tem que garantir o direito de ir e vir, mas qual é o direito da favela? Não somos cidadãos?”, critica Lúcia.
Ele ressalta que um dos principais problemas na comunidade é a falta de
protocolo no relacionamento com os moradores. “Depende do comando. Quando era
preciso fazer alguma reclamação de violações, uns iam apurar. Com outros era
difícil até de fazer o registro”, conta Diniz.
ONGs veem 'nostalgia da ditadura'
Para Atila Roque, diretor da ONG Anistia Internacional, o coronel expressa uma certa “nostalgia da ditadura”. “O que a gente precisa é de um choque de direitos e de cidadania. Enquanto as pessoas não desfrutam isso, ninguém pode se dizer plenamente cidadão. A fala dele vai contra isso. É assustador ouvir de um alto oficial de Forças Armadas que a liberdade necessária para atuar teria que ser ‘pelo menos similar à de um bandido’. É se colocar no mesmo patamar do crime”, aponta Roque.
A diretora da ONG Justiça Global, Sandra Carvalho, conta que a organização chegou a documentar denúncias de abuso ocorridas na época da ocupação do Exército no Alemão. “Verificamos muitas violações que estão expressas na fala dele, como a entrada nas casas de forma ilegal. E mais: pessoas baleadas, espancamentos, pessoas mantidas em cárcere privado”, conta Sandra. Procurada, a Secretaria de Segurança não quis se manifestar.
“Como vai garantir o direito do cidadão à liberdade? Onde fica o ser humano vivendo numa favela sitiada?”, questionou Lúcia Cabral, moradora do Alemão e coordenadora do Centro de Referência dos Direitos Humanos do Complexo. Ela diz que ficou em choque ao ler a defesa das ações armadas feita pelo militar. “Achei assustador. O poder público vive dizendo que tem que garantir o direito de ir e vir, mas qual é o direito da favela? Não somos cidadãos?”, critica Lúcia.
O diretor e fundador da Redes da Maré, Edson Diniz, também disse
ter ficado preocupado com o olhar do militar sobre o trabalho na comunidade. “É
a visão de um exército combativo e uma população inimiga. Na Maré tem
trabalhadores que movimentam a economia e a cultura da cidade. Não são um
exército inimigo que pode ter suas casas invadidas”, observa Diniz.
O deputado Marcelo Freixo (Psol) acredita que a opinião do coronel
demonstra o despreparo do Exército para a atuação na segurança pública. “Ao
menos, ele é honesto. É uma opinião que tem que ser debatida, mesmo discordando
bastante. Isso só afirma o quanto o Exército não pode exercer o papel de
polícia. Não é a sua função constitucional. Eles olham para qualquer conflito
para eliminar o inimigo. Isso já custou muito caro nos 21 anos de ditadura”,
afirma.
Para Atila Roque, diretor da ONG Anistia Internacional, o coronel expressa uma certa “nostalgia da ditadura”. “O que a gente precisa é de um choque de direitos e de cidadania. Enquanto as pessoas não desfrutam isso, ninguém pode se dizer plenamente cidadão. A fala dele vai contra isso. É assustador ouvir de um alto oficial de Forças Armadas que a liberdade necessária para atuar teria que ser ‘pelo menos similar à de um bandido’. É se colocar no mesmo patamar do crime”, aponta Roque.
A diretora da ONG Justiça Global, Sandra Carvalho, conta que a organização chegou a documentar denúncias de abuso ocorridas na época da ocupação do Exército no Alemão. “Verificamos muitas violações que estão expressas na fala dele, como a entrada nas casas de forma ilegal. E mais: pessoas baleadas, espancamentos, pessoas mantidas em cárcere privado”, conta Sandra. Procurada, a Secretaria de Segurança não quis se manifestar.
Regras de engajamento para ocupações de favelas devem ser revistas
Coronel da reserva do Exército Brasileiro Fernando Montenegro*
As Forças Armadas do Brasil reduziram de R$15 milhões mensais para R$300 mil os lucros do tráfico de drogas no Complexo da Maré, no Rio de Janeiro, desde o início da ocupação. Esse prejuízo tem acarretado grande apreensão nas lideranças das três principais facções do crime organizado carioca. Em fevereiro um olheiro ganhava R$700 semanais, atualmente mal recebem. Apesar disso, a situação está muito longe de ser resolvida e não é por culpa dos militares.
A maioria da sociedade crê que o crime organizado nas favelas seja materializado por traficantes portadores de fuzil que vendem drogas. Isso é apenas a ponta do iceberg que oculta milhares de pessoas desarmadas vivendo da renda direta ou indireta dos entorpecentes nas comunidades.
Por isso é essencial que antes de uma ocupação militar desse porte o Estado entenda o impacto econômico que a asfixia do tráfico irá causar e ofereça alternativa às pessoas. Isso não foi realizado no Complexo do Alemão e, com a saída das Forças Armadas, a situação retornou a níveis críticos, comprometendo a credibilidade do processo.
Os moradores da Maré observaram isso e sabem que a permanência das Forças Armadas é passageira; reforçando essa posição, um líder comunitário que apoiou ostensivamente as tropas da Maré não teve sua segurança garantida e foi assassinado no final de 2014.
A ocupação da Maré tem apresentado características bem diferentes das experiências do Alemão e do Haiti, interferindo bastante na interação dos militares com a população e com as facções criminosas.
No Alemão havia apenas uma facção criminosa, a invasão foi inesperada e não permitiu aos criminosos armados se evadirem levando os estoques de drogas e de armas. Entretanto, as outras estruturas do narcotráfico permaneceram para viabilizar o funcionamento após a saída do Exército.
Na Maré, observamos a milícia e mais três facções rivais do crime organizado que não abandonaram a área para não abrir mão do território, uma vez que as Forças Armadas não permanecerão lá eternamente. Duas dessas facções estão desde 2009 em uma violenta disputa de território.
Foi determinante para o sucesso no Alemão a captura da enorme quantidade de armas e drogas logo no início da operação. Isso foi viabilizado devido aos mandados de busca e apreensão coletivos associados a um disque-denúncia.
No Haiti, o BRABATT (Brazilian Battalion) controla a situação porque tem “carta branca” para verificar todas as casas e abater qualquer pessoa que esteja portando armas de fogo ostensivamente. Operacionalmente, esta é a única forma de garantir à tropa o mesmo grau de liberdade que o crime organizado tem de entrar em todas as casas, o que fazem pelo terror.
A decisão política de não conceder essas mesmas prerrogativa à tropa na Maré tem causado um desgaste desnecessário aos militares e comprometido o cumprimento da missão. Como resultado das restritivas regras de engajamento dos militares, entorpecentes são vendidos e consumidos no interior das casas, menores aliciados atiram pedras na tropa e traficantes passaram a ocupar lajes, de onde fazem emboscadas aos militares após as operações que levam a prisões, apreensões de armas e de drogas. Tiroteios diários chegam a levar horas e já atingiram quatro militares, um deles fatalmente. Uma guerra assimétrica dentro do próprio quintal.
Todos sabem que a ocupação da Maré pelos militares ocorreu devido à Copa e, se depender dos políticos, irá se prorrogar até as Olimpíadas. Assim como no Alemão (que durou 520 dias) também disseram que seria por curto espaço de tempo, mas já se percebe que não é a realidade.
Poderíamos levantar inúmeras observações sobre as operações militares, mas a verdade é que a solução do problema encontra-se no nível político. A sociedade precisa entender que as Forças Armadas têm que ser empregadas para decidir, pois são os últimos recursos a serem empregados. Por isso mesmo não podem prosseguir atuando sob os mesmos protocolos legais que regem as forças policiais. É um engodo semelhante a usar a mesma fórmula ineficiente para um remédio, apenas com embalagem diferente, esperando resolver o problema. A regra de engajamento precisa ser reescrita se quiserem buscar eficiência nas operações e preservar as Forças Armadas.
*Fernando Montenegro – Coronel R/1 Forças Especiais do Exército Brasileiro – Foi comandante da Força-Tarefa Sampaio na ocupação e pacificação dos complexos do Alemão e da Penha em 2011.
A maioria da sociedade crê que o crime organizado nas favelas seja materializado por traficantes portadores de fuzil que vendem drogas. Isso é apenas a ponta do iceberg que oculta milhares de pessoas desarmadas vivendo da renda direta ou indireta dos entorpecentes nas comunidades.
Por isso é essencial que antes de uma ocupação militar desse porte o Estado entenda o impacto econômico que a asfixia do tráfico irá causar e ofereça alternativa às pessoas. Isso não foi realizado no Complexo do Alemão e, com a saída das Forças Armadas, a situação retornou a níveis críticos, comprometendo a credibilidade do processo.
Os moradores da Maré observaram isso e sabem que a permanência das Forças Armadas é passageira; reforçando essa posição, um líder comunitário que apoiou ostensivamente as tropas da Maré não teve sua segurança garantida e foi assassinado no final de 2014.
A ocupação da Maré tem apresentado características bem diferentes das experiências do Alemão e do Haiti, interferindo bastante na interação dos militares com a população e com as facções criminosas.
No Alemão havia apenas uma facção criminosa, a invasão foi inesperada e não permitiu aos criminosos armados se evadirem levando os estoques de drogas e de armas. Entretanto, as outras estruturas do narcotráfico permaneceram para viabilizar o funcionamento após a saída do Exército.
Na Maré, observamos a milícia e mais três facções rivais do crime organizado que não abandonaram a área para não abrir mão do território, uma vez que as Forças Armadas não permanecerão lá eternamente. Duas dessas facções estão desde 2009 em uma violenta disputa de território.
Foi determinante para o sucesso no Alemão a captura da enorme quantidade de armas e drogas logo no início da operação. Isso foi viabilizado devido aos mandados de busca e apreensão coletivos associados a um disque-denúncia.
No Haiti, o BRABATT (Brazilian Battalion) controla a situação porque tem “carta branca” para verificar todas as casas e abater qualquer pessoa que esteja portando armas de fogo ostensivamente. Operacionalmente, esta é a única forma de garantir à tropa o mesmo grau de liberdade que o crime organizado tem de entrar em todas as casas, o que fazem pelo terror.
A decisão política de não conceder essas mesmas prerrogativa à tropa na Maré tem causado um desgaste desnecessário aos militares e comprometido o cumprimento da missão. Como resultado das restritivas regras de engajamento dos militares, entorpecentes são vendidos e consumidos no interior das casas, menores aliciados atiram pedras na tropa e traficantes passaram a ocupar lajes, de onde fazem emboscadas aos militares após as operações que levam a prisões, apreensões de armas e de drogas. Tiroteios diários chegam a levar horas e já atingiram quatro militares, um deles fatalmente. Uma guerra assimétrica dentro do próprio quintal.
Todos sabem que a ocupação da Maré pelos militares ocorreu devido à Copa e, se depender dos políticos, irá se prorrogar até as Olimpíadas. Assim como no Alemão (que durou 520 dias) também disseram que seria por curto espaço de tempo, mas já se percebe que não é a realidade.
Poderíamos levantar inúmeras observações sobre as operações militares, mas a verdade é que a solução do problema encontra-se no nível político. A sociedade precisa entender que as Forças Armadas têm que ser empregadas para decidir, pois são os últimos recursos a serem empregados. Por isso mesmo não podem prosseguir atuando sob os mesmos protocolos legais que regem as forças policiais. É um engodo semelhante a usar a mesma fórmula ineficiente para um remédio, apenas com embalagem diferente, esperando resolver o problema. A regra de engajamento precisa ser reescrita se quiserem buscar eficiência nas operações e preservar as Forças Armadas.
*Fernando Montenegro – Coronel R/1 Forças Especiais do Exército Brasileiro – Foi comandante da Força-Tarefa Sampaio na ocupação e pacificação dos complexos do Alemão e da Penha em 2011.
Wednesday, June 3, 2015
'Maré devia estar sob estado de sítio', diz coronel que ajudou a ocupar Alemão
Coronel Fernando Montenegro, hoje na reserva, defende teses polêmicas sobre como deveria ser a atuação da tropa na região
Juliana Dal Piva
Rio - O coronel Fernando Montenegro comandou uma das duas forças-tarefa que
ocuparam o Complexo do Alemão em 2010. Agora, na reserva, conta com
exclusividade detalhes da organização da missão e defende teses polêmicas sobre
como deveria ser a atuação da tropa na Maré. Para ele, o governo deveria
decretar uma espécie de estado de sítio na região.
O DIA: Qual a diferença entre o trabalho das Forças Armadas e da Polícia no Alemão e na Maré?
CORONEL MONTENEGRO: O Exército fica no terreno ocupando 24 horas. Não reduz efetivo. Do soldado até o general, todos ficam lá dormindo dentro da base. Você não vai para casa. É como se estivesse no Haiti. É uma coisa extremamente desgastante. A Polícia tem um sistema de rodízio. O policial fica ali um tempo e depois vai embora. Muitos deles fazem atividade paralela, onde têm uma outra fonte de renda e muitas vezes dão mais prioridade para aquilo que ao serviço. Alguns, todo mundo sabe, gostam de ser policiais para poder ter a arma. Enfim, isso não me interessa. O que quero caracterizar é que a forma de atuação do Exército é muito diferente. Foi uma realização, mas muita coisa tinha que ser feita para arrendodar a operação.
Nos EUA há grande contestação à atuação policial em mortes envolvendo
negros.
Mesmo com esse esforço o Alemão ainda registra conflitos. O que
faltou?
Após a missão de pacificação no Complexo do Alemão, o coronel Fernando
Montenegro decidiu ir para a reserva e trabalhar como consultor de segurança.
Além disso, convidou um amigo para escrever um livro de ficção sobre a
experiência vivida no Rio.
A obra levou o nome de ‘Comando Verde’. Segundo ele, o título foi escolhido
em função da maneira como o Exército passou a ser chamado no Alemão depois da
ocupação. “Em alusão ao Comando Vermelho”, conta o militar.
Montenegro diz que aproveitou a obra para contar de modo romanceado diversos
detalhes da operação. “O livro fala muita coisa dos bastidadores, de forma
diluída e ficcional porque, como protagonista, não posso dizer ao vivo e a cores
tudo que eu sei”, explica.
No fim do ano passado, ele se mudou para Portugal. Mas segue em contato com
antigos comandados que agora trabalham na Maré. Em artigo publicado na última
semana, ele diz ter ficado sabendo que o tráfico de drogas na região reduziu o
lucro de R$15 milhões mensais para R$300 mil .
O DIA: Qual a diferença entre o trabalho das Forças Armadas e da Polícia no Alemão e na Maré?
CORONEL MONTENEGRO: O Exército fica no terreno ocupando 24 horas. Não reduz efetivo. Do soldado até o general, todos ficam lá dormindo dentro da base. Você não vai para casa. É como se estivesse no Haiti. É uma coisa extremamente desgastante. A Polícia tem um sistema de rodízio. O policial fica ali um tempo e depois vai embora. Muitos deles fazem atividade paralela, onde têm uma outra fonte de renda e muitas vezes dão mais prioridade para aquilo que ao serviço. Alguns, todo mundo sabe, gostam de ser policiais para poder ter a arma. Enfim, isso não me interessa. O que quero caracterizar é que a forma de atuação do Exército é muito diferente. Foi uma realização, mas muita coisa tinha que ser feita para arrendodar a operação.
Como o quê?
Praticamente o mesmo que teria que arrendondar na Maré: uma regra
de engajamento que permita fazer o trabalho que tem que ser feito. A situação em
que se pode fazer o uso da força.
E qual seria a situação?
Uma regra para uma tropa nessa situação tem que ser similar a uma
área com situação de anormalidade, estado de defesa ou de sítio ou alguma coisa
que se aproxime disso. Isso é uma decisão no nível político. As Forças Armadas
acatam, mas está sendo um desrespeito (não declarar estado de sítio) com a
Constituição.
Foi assim que funcionou no Alemão?
Começou com uma operação de impacto e sem aviso. Não deu tempo dos
traficantes saírem de lá. Logo em seguida foi concedido um mandado de busca e
apreensão coletivo em que a tropa poderia entrar em todas as casas. Você anda
pelo Alemão e vai ver um paraquedas pintado na porta de vários barracos e casas.
Aquilo ali significava que a tropa tinha entrado nas casas para fazer revista em
busca de drogas e armas. Achou-se muita coisa. Depois, pintava-se do lado de
fora do barraco um paraquedinhas para mostrar que aquela casa já tinha sido
inspecionada. Era mais por uma questão de gestão e organização. Você tinha uma
liberdade que não tem comparação. Na Maré, a tropa não tem liberdade para entrar
nas casas. No Alemão, funcionou assim por quatro ou cinco meses.
Funcionava como um estado de sítio?
O que tinha era o mandado. O estado de sítio vai muito além. Tem
toque de recolher e várias coisas como a proibição de fazer reunião. É bem mais
limitativo. Só que essa mania do brasileiro de fazer o jeitinho deixa mais
complicado de você fazer a coisa funcionar do jeito que tem que ser. As Forças
Armadas não podem errar porque depois não tem ninguém para chamar.
Mas não fica difícil para controlar casos de
abuso?
O bandido tem muito mais liberdade do que a tropa para atuar. Teria
que ter uma liberdade pelo menos similar a do bandido. Ele tem a vantagem da
invisibilidade porque ele está diluído na população. Existem princípios de uso
proporcional da força. Se uma pessoa está para te dar uma facada, você não pode
dar um tiro nela. Isso é muito complicado.
Isso não criaria uma situação de confronto extremo em meio
à população?
Já deu tempo suficiente para perceber que do jeito que está não vai
funcionar. A sociedade precisa decidir qual é o preço que ela quer pagar para
ter segurança. Isso logicamente envolve desgaste e envolve uma escolha mais
inteligente dos políticos.
Não é uma guerra no meio da cidade?
O Rio é o único lugar do mundo onde você tem grupos de 40 pessoas
andando com fuzil por becos e vielas e se diz que aquilo é uma situação de
normalidade. A gente chama isso de democracia? Já é uma guerra.
Nenhum país venceu o tráfico de drogas. Esse esforço não é
inútil?
"A sociedade precisa decidir qual o preço que ela quer pagar para ter segurança"Coronel Montenegro
Na Inglaterra, EUA, Israel e França a polícia atua de uma forma
muito mais confortável e nem por isso fica uma caça às bruxas. Tem que dar uma
resposta proporcional à violência que está ocorrendo. Nesses países tem um
protocolo de atuação que não é tão questionado quanto os dos órgãos brasileiros
quando tem que fazer o uso da força.
O contexto social é diferente. Lá tem muito mais segurança que no
Brasil. Tem policiais que cometem erros. Mas nos EUA, se você desrespeita um
policial como acontece aqui, qual a primeira coisa que ele faz ? Saca a arma e
aponta para você, vai um outro para cima e te empacota todo, imobiliza e já te
bota com a cara no chão. Isso aí no Brasil, você vai botar a mão não pode:
‘imagina, só porque ele xingou’.
A Polícia brasileira é uma das que mais mata no
mundo.
É porque tem uma escalada de violência dos dois lados. Se a polícia
não tem um protocolo que respalde ela, começa a fazer coisas em paralelo. Mas a
polícia brasileira é um capítulo à parte. Tem que ser reinventada.
É preciso que se entenda que as UPPs são completamente diferentes
das Forças de Pacificação comandadas pelas Forças Armadas. Já se percebe que as
UPPs necessitam de ajustes de acordo com o lugar para ter eficácia.
DA REALIDADE À FICÇÃO
Tuesday, May 27, 2014
História sobre atuação do Exército nas favelas cariocas chega a livrarias de Curitiba
O texto abaixo foi publicado no site no site RIC Mais PR.
O livro Comando Verde conta a história de um tenente do Exército Brasileiro (EB) que, por questões pessoais, odeia traficantes de drogas, mas que, por um golpe do destino, acaba se apaixonando por uma das líderes do tráfico nas favelas que compõem os complexos da Penha e do Alemão. Com este improvável romance como pano de fundo, os autores Fernando Motenegro e Marcos Ommati desenvolvem uma trama recheada de muita ação e aventuras.
Segundo Fernando Montenegro, coronel das Forças Especiais do Exército Brasileiro e um dos comandantes da Operação Arcanjo, realizada nos complexos da Penha e do Alemão, no Rio de Janeiro, as páginas estão cheias de fatos verdadeiros. “A maioria dos fatos narrados são inspirados em acontecimentos reais”, conta o coronel.
“Depois que o coronel Montenegro foi para a reserva do Exército, logo após ter passado vários meses nos complexos da Penha e do Alemão como um dos comandantes da força de pacificação, ele me apresentou uma quantidade fantástica de relatos incríveis. A opção do que fazer com todas estas narrativas está nas páginas de Comando Verde”, conta Marcos Ommati, que é jornalista especializado em assuntos de segurança.
Os dois autores são fascinados por seriados americanos de TV e filmes, e a ideia original, segundo eles, era escrever um roteiro para estes meios, mas acabaram criando um livro em linguagem cinematográfica, em que cada um dos 45 capítulos é pleno de emoção e ritmo, como episódios de uma série de televisão.
“Nosso público alvo mais óbvio são os militares das forças armadas e de outras forças de segurança, porém posso garantir que qualquer pessoa irá se deleitar com a forma como contamos histórias muitas vezes emocionantes, outras vezes tristes, mas nunca desinteressantes”, diz o coronel Montenegro.
O livro também recebeu o aval de um dos roteiristas de Tropa de Elite I e II, Rodrigo Pimentel. O ex-oficial do BOPE escreveu o prefácio de Comando Verde. “Este é um livro extremamente original com ineditismo sem precedentes. Pela primeira vez na literatura recente brasileira, temos a oportunidade de ver alguns temas históricos, como o ataque à base brasileira no rio Traíra (na fronteira com a Colômbia) e a atuação da Força de Pacificação sob o enfoque de um protagonista do Exército Brasileiro”, escreveu Pimentel.
Na última semana, o Coronel Montenegro realizou uma noite de autógrafos na Livraria Cultura do Shopping Curitiba, um dos locais que já tem exemplares do livro. Para mais informações, visite www.comandoverde.com
O livro Comando Verde conta a história de um tenente do Exército Brasileiro (EB) que, por questões pessoais, odeia traficantes de drogas, mas que, por um golpe do destino, acaba se apaixonando por uma das líderes do tráfico nas favelas que compõem os complexos da Penha e do Alemão. Com este improvável romance como pano de fundo, os autores Fernando Motenegro e Marcos Ommati desenvolvem uma trama recheada de muita ação e aventuras.
Segundo Fernando Montenegro, coronel das Forças Especiais do Exército Brasileiro e um dos comandantes da Operação Arcanjo, realizada nos complexos da Penha e do Alemão, no Rio de Janeiro, as páginas estão cheias de fatos verdadeiros. “A maioria dos fatos narrados são inspirados em acontecimentos reais”, conta o coronel.
“Depois que o coronel Montenegro foi para a reserva do Exército, logo após ter passado vários meses nos complexos da Penha e do Alemão como um dos comandantes da força de pacificação, ele me apresentou uma quantidade fantástica de relatos incríveis. A opção do que fazer com todas estas narrativas está nas páginas de Comando Verde”, conta Marcos Ommati, que é jornalista especializado em assuntos de segurança.
Os dois autores são fascinados por seriados americanos de TV e filmes, e a ideia original, segundo eles, era escrever um roteiro para estes meios, mas acabaram criando um livro em linguagem cinematográfica, em que cada um dos 45 capítulos é pleno de emoção e ritmo, como episódios de uma série de televisão.
“Nosso público alvo mais óbvio são os militares das forças armadas e de outras forças de segurança, porém posso garantir que qualquer pessoa irá se deleitar com a forma como contamos histórias muitas vezes emocionantes, outras vezes tristes, mas nunca desinteressantes”, diz o coronel Montenegro.
O livro também recebeu o aval de um dos roteiristas de Tropa de Elite I e II, Rodrigo Pimentel. O ex-oficial do BOPE escreveu o prefácio de Comando Verde. “Este é um livro extremamente original com ineditismo sem precedentes. Pela primeira vez na literatura recente brasileira, temos a oportunidade de ver alguns temas históricos, como o ataque à base brasileira no rio Traíra (na fronteira com a Colômbia) e a atuação da Força de Pacificação sob o enfoque de um protagonista do Exército Brasileiro”, escreveu Pimentel.
Na última semana, o Coronel Montenegro realizou uma noite de autógrafos na Livraria Cultura do Shopping Curitiba, um dos locais que já tem exemplares do livro. Para mais informações, visite www.comandoverde.com
Monday, May 19, 2014
Brasil: Copa pode atrair terroristas, dizem especialistas
Por Thiago Borges para Infosurhoy.com
Ações autônomas de seguidores de organizações terroristas é
a maior preocupação, segundo Agência Brasileira de Inteligência (Abin).
SÃO PAULO, Brasil – A audiência televisiva de 2 bilhões de
pessoas e a expectativa de receber 600.000 turistas estrangeiros colocam o
Brasil no centro das atenções durante a Copa do Mundo, de 12 de junho a 13 de
julho. Diante deste cenário, especialistas dizem que, apesar de o país não ser
um alvo óbvio de terrorismo, há chances reais de um atentado acontecer.
“Nossa maior preocupação é com o que chamamos de ‘lobo
solitário’, que é o indivíduo que atua sozinho”, diz Luiz Alberto Salaberry,
diretor do Departamento de Contraterrorismo da Agência Brasileira de
Inteligência (Abin).
Apesar de descartar a existência de células terroristas de
organizações como a Al Qaeda no Brasil, Salaberry ressalta que extremistas
radicais podem adotar os mesmos discursos de ódio e racismo difundidos por
esses grupos pela internet.
Para tentar identificar seguidores de terroristas, a Abin
trabalha em conjunto com agências de inteligência de 82 países e departamentos
de 38 órgãos governamentais em todo o Brasil.
“Os lobos solitários geralmente sofrem de desvios
psicológicos e poderiam causar uma tragédia, se aproveitando da presença de
delegações e turistas estrangeiros”, explica Salaberry. “O desafio é se
antecipar ao movimento dessas pessoas que nós sequer conhecemos.”
A Abin intensificou o trabalho de combate ao terrorismo em
2012, com a Rio+20, e continou no ano passado, quando o Brasil sediou a Copa
das Confederações e a Jornada Mundial da Juventude.
Para o advogado e especialista em contraterrorismo Marcus
Reis, as ameaças internas são maiores que as externas.
“A Copa pode ser um momento para chamar atenção e tentar
extorquir do estado algum compromisso político”, diz.
A inexistência de uma legislação específica favorece a
concretização de um atentado, diz Reis.
“O Estado tem que aumentar a segurança e diminuir a
vulnerabilidade do país, melhorar o controle das fronteiras e aumentar a
possibilidade de prisão para diminuir as chances de um ataque acontecer”,
acrescenta.
Há um projeto de lei em tramitação no Senado que tipifica o
crime de terrorismo e estabelece penas de 15 a 30 anos de prisão, sem direito a
fiança.
Se o projeto for aprovado, a lei antiterrorismo pode englobar desde ações terroristas de
organizações como o Hezbollah até atentados como os praticados pelo Primeiro Comando da Capital (PCC) em 2006 e 2012.
Além da Copa, o país vai abrigar os Jogos Olímpicos do Rio
de Janeiro, em 2016, e a Universíade de Brasília, em 2019.
Para tentar dificultar a ação de terroristas, a Abin
investiu em metodologias, treinamento e parcerias no setor público e privado.
Entre esses parceiros, estão hotéis e restaurantes que vão
atender as delegações estrangeiras. Como fez nos Jogos Pan-Americanos de 2007 e
na Rio+20, em 2012, a Abin irá treinar funcionários de vários estabelecimentos
para que informem o serviço secreto brasileiro sobre ações suspeitas.
“O terrorismo é uma ameaça que não faz parte da conjuntura
normal do Brasil, mas um grande evento possibilita esse tipo de apreensão”,
disse o general Jamil Megid Junior, assessor especial para Grandes Eventos do
Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas (EMCFA) do Ministério da Defesa, em
março, na Câmara dos Deputados, em Brasília.
Durante a Copa, cerca de 150.000 agentes policiais e das
Forças Armadas vão atuar na segurança de delegações, turistas e população em
geral.
O general informou que varreduras em busca de bombas e
agentes químicos, biológicos, nucleares e radiológicos serão feitas em todos os
estádios, hotéis oficiais e centros de treinamento, entre outras áreas
importantes, da Copa do Mundo.
“Nós já estamos ativando os nossos 12 comandos regionais das
cidades-sede e finalizando a capacitação das nossas forças, agora em abril e
maio, principalmente com exercícios simulados com representantes da segurança
como um todo”, disse Megid.
Entre os dias 24 de março e 11 de abril, delegados da
Polícia Federal e agentes da segurança pública de Amazonas, Bahia, Ceará, Mato
Grosso, Pernambuco, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul
participaram de um curso sobre interdição marítima a terroristas.
Realizado em Moyock, no estado da Carolina do Norte (EUA), o
curso é resultado de uma parceria entre a Secretaria Extraordinária de
Segurança para Grandes Eventos (Sesge) do Ministério da Justiça, a Embaixada
dos Estados Unidos no Brasil e a Agência Antiterrorismo do Departamento de
Estado dos EUA.
Investimento em segurança
O governo federal investiu R$ 1,9 bilhão entre 2012 e 2014
para garantir a segurança na Copa.
Os recursos foram destinados à coordenação de ações entre
polícias, guardas municipais, Defesa Civil e Corpo de Bombeiros e treinamento
de pessoal, além da compra de tanques de defesa antiaérea, equipamentos
antibomba e de videomonitoramento.
“Nós temos total confiança nos Ministérios do Esporte, da
Justiça e da Defesa, incluindo todas as diferentes autoridades de segurança”,
diz Ralf Mutschke, diretor de segurança da FIFA. “Estamos convencidos de que a
segurança na Copa do Mundo de 2014 será provida.”
Mundial: Brasil podría atraer a terroristas, según expertos
Por Thiago Borges para Infosurhoy.com
El potencial de ataques terroristas durante Brasil 2014 es
una gran preocupación, según la Agencia Brasileña de Inteligencia (ABIN).
SÃO PAULO, Brasil – Brasil podría ser blanco de ataques
terroristas durante el Mundial, cuando unos 600.000 extranjeros visiten el país
entre el 12 de junio al 13 de julio, al mismo tiempo que unos 2.000 millones lo
vean por televisión, según expertos.
"Nuestra mayor preocupación son los que llamamos ‘lobos
solitarios’, que son individuos que operan por su propia cuenta”, dijo Luiz
Alberto Salaberry, director del Departamento de Contraterrorismo de la Agencia
Brasileña de Inteligencia (ABIN).
A pesar de descartar la existencia de células terroristas de
organizaciones como Al Qaeda en Brasil, Salaberry expresó que los extremistas
radicales pueden adoptar los mismos discursos de odio y racismo difundidos en
internet por estos grupos.
La ABIN está trabajando con 38 departamentos gubernamentales
de Brasil y agencias de inteligencia de 82 países para impedir ataques durante
el Mundial, prestando especial atención a los individuos que siguen a grupos
terroristas.
“Los lobos solitarios generalmente sufren de problemas
psicológicos y podrían causar una tragedia, aprovechando la presencia de
delegaciones y turistas extranjeros”, agregó Salaberry. “El desafío es
anticiparse a los movimientos de estas personas que ni siquiera hemos
identificado”.
La ABIN intensificó su trabajo en el combate del terrorismo
en 2012 con Rio+20, y continuó en 2013, cuando Brasil fue anfitrión de la Copa
Confederaciones y la Jornada Mundial de la Juventud.
Las amenazas internas son mayores que las externas, según el
experto en antiterrorismo Marcus Reis.
“La Copa del Mundo podría ser un momento para atraer
atención e intentar extorsionar al estado a tomar un compromiso político",
añadió.
Reis, quien es abogado, agregó que la falta de legislación
específica también favorece la realización de un atentado.
“El Estado tiene que aumentar la seguridad y disminuir la
vulnerabilidad del país, mejorar el control de las fronteras y aumentar la
probabilidad de detención para diminuir las posibilidades de que ocurra un
atentado", dijo.
El Senado está considerando aprobar una legislación que
establece una pena de prisión de entre 15 y 30 años por terrorismo. Los
acusados no tendrán derecho a fianza mientras esperan juicio.
Si el proyecto legislativo se aprueba, la ley antiterrorismo podría cubrir desde actos terroristas
cometidos por organizaciones como Hezbolá hasta los ataques realizados por el Primer Comando de la Capital (PCC) en 2006 y 2012.
Rio de Janeiro será también sede de los Juegos Olímpicos 2016.
Con la finalidad de combatir el terrorismo, la ABIN ha
invertido en metodologías, entrenamiento y asociaciones con los sectores
público y privado.
Hoteles y restaurantes que atenderán a las delegaciones
extranjeras se han sumado a estas iniciativas. Como se hizo en los Juegos
Panamericanos de 2007 y en Rio+20 en 2012, la ABIN capacitará a empleados de
varios establecimientos para que informen al Servicio Secreto Brasileño sobre
cualquier actividad sospechosa.
“El terrorismo es una amenaza que no forma parte de la vida
normal en Brasil, pero los grandes eventos hacen posible este tipo de
aprehensión", dijo en marzo el general Jamil Megid Junior, asesor especial
para Grandes Eventos del Estado Mayor Conjunto de las Fuerzas Armadas (EMCFA)
del Ministerio de Defensa, durante una alocución ante la Cámara de Diputados en
Brasília.
Alrededor de 150.000 agentes policiales y miembros de las
Fuerzas Armadas serán desplegados en las 12 ciudades sede del Mundial.
Megid dijo que el personal de seguridad buscará bombas químicas
y nucleares, mientras que agentes especializados en radiología serán
desplegados en todos los estadios, hoteles oficiales y centros de
entrenamiento, así como en otras áreas importantes para el Mundial.
“Ya estamos activando nuestros 12 comandos regionales en las
ciudades sede y finalizando el entrenamiento de nuestras fuerzas en abril y
mayo, principalmente a través de simulacros con representantes de todo el plan
general de seguridad", afirmó Megid.
Entre el 24 de marzo y el 11 de abril, agentes de la Policía
Federal y oficiales de la ley de los estados de Amazonas, Bahia, Ceará, Mato
Grosso, Paraná, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul y São Paulo
participaron en un curso de represión de terrorismo marítimo.
Realizado en Moyock, Carolina del Norte, EE.UU., el curso
fue el resultado de una asociación entre la Secretaría Extraordinaria de
Seguridad para Grandes Eventos (SESGE) del Ministerio de Justicia, la Embajada
de Estados Unidos en Brasil y la Agencia Antiterrorismo del Departamento de
Estado estadounidense.
Inversiones en seguridad
El Gobierno brasileño invirtió R$1.900 millones (US$860
millones) entre 2012 y 2014 para garantizar la seguridad durante el Mundial.
Los recursos fueron destinados a mejorar la coordinación
entre las fuerzas policiales, las guardias municipales, la defensa civil y los
cuerpos de bomberos, así como para el entrenamiento de personal y la
adquisición de tanques de defensa antiaérea, equipos antibomba y de monitoreo
por video.
“Tenemos absoluta confianza en los Ministerios de Deporte,
de Justicia y de Defensa, incluyendo a todas las diferentes autoridades de
seguridad", expresó Ralf Mutschke, director de seguridad de la FIFA.
“Estamos convencidos de que se brindará seguridad para el Mundial".
World Cup: Brazil may attract terrorists, experts say
By Thiago Borges for Infosurhoy.com
The potential for terrorist attacks is a major concern at
the World Cup, according to the Brazilian Intelligence Agency (ABIN).
“Our biggest concern is with the so-called ‘lone wolves,’
who are individuals operating on their own,” said Luiz Alberto Salaberry, the
director of the Counter-terrorism Department at the Brazilian Intelligence
Agency’s (ABIN).
Despite dismissing the potential existence of terrorist
cells in Brazil from organizations such as al-Qaeda, Salaberry said radical
extremists may adopt the same hate speech and racism spread across the Internet
by these groups.
ABIN is working with 38 Brazilian governmental departments
and intelligence agencies from 82 countries to prevent attacks when Brazil is
the center of global attention, paying special attention to individuals who
follow terrorist groups.
“The lone wolves typically suffer from psychological issues
and could cause a tragedy, taking advantage of the presence of foreign
delegations and tourists,” Salaberry added. “The challenge is to anticipate the
movements of these people whom we haven’t even identified.”
ABIN intensified its work to combat terrorism in 2012, with
Rio+20, and continued in 2013, when Brazil hosted the Confederations Cup and
World Youth Day.
Internal threats are greater than external ones, according
to counter-terrorism expert Marcus Reis.
“The World Cup could be a moment to attract attention and
attempt to extort the state into some sort of political commitment,” he said.
The lack of specific legislation also favors the carrying
out of an attack, Reis, who is a lawyer, added.
“The state has to increase security and decrease the
country’s vulnerability, improve border control and increase the likelihood of
arrest in order to reduce the chances of an attack,” he said.
The Senate is considering approving legislation that
establishes a prison sentence of between 15 and 30 years for anyone convicted
of terrorism. Defendants also will be denied bail while they wait for their day
in court.
If the bill is approved, the anti-terrorism law could cover everything from terrorist
acts committed by organizations such as Hezbollah to attacks such as those
carried out by the Primeiro Comando da Capital (PCC) in 2006 and 2012.
Rio de Janeiro also will host the 2016 Olympics.
ABIN has invested in methodologies, training and
partnerships with the public and private sectors to combat terrorism.
Among these partners are the hotels and restaurants that
will serve foreign delegations. Just as it did during the 2007 Pan-American
Games and Rio+20, in 2012, ABIN will train the employees of various
establishments to inform the Brazilian Secret Service of any suspicious
activity.
“Terrorism is a threat that isn’t part of normal life in
Brazil, but major events make these types of arrests possible,” Gen. Jamil
Megid Junior, a special adviser for major events to the Ministry of Defense’s
Joint Chiefs of Staff of the Armed Forces (EMCFA), said during a speech before
the House of Representatives in Brasília in March.
About 150,000 police officers and members of the Armed
Forces will be stationed throughout the 12 cities that will host World Cup
games.
Megid said security personnel will search for chemical and
nuclear bombs, while agents specializing in radiology will be stationed at all
stadiums, official hotels and training centers, as well as other important
World Cup areas.
“We’re already activating our 12 regional commands in the
host cities and finalizing the training of our forces in April and May,
primarily through drills with representatives of the overall security scheme,”
Megid said.
Between March 24 and April 11, Federal Police officers and
law enforcement officials from the states of Amazonas, Bahia, Ceará, Mato
Grosso, Paraná Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul and São Paulo,
participated in a course on maritime terrorist interdiction.
Held in Moyock in the U.S. state of North Carolina, the
course was the result of a partnership between the Ministry of Justice’s
Special Secretariat for Security at Major Events (SESGE), the U.S. Embassy in
Brazil and the U.S. Department of State’s Counterterrorism Agency.
Investments in security
The Brazilian government invested R$1.9 billion (US$860
million) between 2012 and 2014 to ensure security at the World Cup.
The funds were allocated to improve coordination among the
police forces, municipal guards, civil defense and fire departments, as well as
the training of personnel and the purchase of air defense tanks, bomb disposal
equipment and video surveillance gear.
“We have total confidence in the ministries of Sport,
Justice and Defense, including all of the different security authorities,” FIFA
Security Director Ralf Mutschke said. “We’re convinced that security will be
provided for the World Cup.”
Tuesday, May 13, 2014
Agências envolvidas na defesa e na segurança da Copa fazem últimos ajustes
Veja a entrevista concedida pelo coronel Fernando Montenegro, autor do livro Comando Verde, para a Globo News sobre a segurança durante a Copa do Mundo.
http://g1.globo.com/globo-news/jornal-globo-news/videos/t/todos-os-videos/v/agencias-envolvidas-na-defesa-e-na-seguranca-da-copa-fazem-ultimos-ajustes/3341815/
http://g1.globo.com/globo-news/jornal-globo-news/videos/t/todos-os-videos/v/agencias-envolvidas-na-defesa-e-na-seguranca-da-copa-fazem-ultimos-ajustes/3341815/
Monday, May 12, 2014
Rio de Janeiro: Residents benefit from Armed Forces’ crime hotline
By Flávia Ribeiro for Infosurhoy.com
Armed Forces have created Disque-Pacificação to provide the
Complexo da Maré’s residents a telephone number for anonymous crime reporting
and suggestions.
RIO DE JANEIRO, Brazil – A series of attacks on April 20 and
21 against the Pacification Force in Complexo da Maré culminated in a
horrifying scene: A gunman, accompanied with at least one child on a
motorcycle, shot at military members who couldn’t return fire since he was
protecting himself with a human shield.
Maré, a complex of 15 favelas in Rio de Janeiro’s North
Zone, continues to be a hotspot for narco-traffickers after it was occupied by
the Brazilian Army and Navy. However, the military has bolstered its fight
against crime by improving communication with the about 130,000 who call the
complex home.
Disque-Pacificação (3105-9717) is a 24-hour anonymous crime
hotline that began operating on April 16 and will be open until the military
leaves the area, mirroring the hotline that was established after the 2010
pacification of Complexo do Alemão.
“We began this service so the community could speak with us
about any issues, from providing us with information about drug trafficking and
organized crime to reporting complaints about excesses on the part of our
troops,” said Army Maj. Alberto Horita, a spokesperson for the Pacification
Force in Maré. “Of course, we will strive to prevent any excesses. But, if they
do occur, we want them to be reported so we can take the appropriate steps.”
During the first 24 hours the hotline was in service, 25
complaints were filed – all of them related to drug trafficking. A small
number, perhaps, but the Pacification Force believes it’s a good sign, as the
line was started without any publicity.
“The guarantee of anonymity is absolute and residents have
no reason to fear calling,” Horita said. “Residents will realize this, see our
work and the results of their complaints.”
Disque-Pacificação works in the same way as Disque-Denúncia (2253-1177), a service operated by civil
society to aid in the fight against crime.
Disque-Denúncia has received 1,997,082 complaints since its
creation in 1995 through March 2014, according to Zeca Borges, the service’s
coordinator. Disque-Pacificação will be used more often as more residents
realize their reports are taken very seriously by security forces.
“First, you must gain their trust, then you can regain the
area,” Borges said. “The important thing in this work is to be open to
listening. They have to value what is being said since every call represents a
civic act by the caller.”
Borges said
Disque-Denúncia also continues to be available to the residents of Complexo da
Maré.
“My guidance is to call, always,” Borges added.
Gen. Roberto Escoto, the commander general of the Maré
Pacification Force, said it has been harder to restore order to Complexo da
Maré because the number of narco-traffickers was larger than initially
estimated.
Complexo da Maré is considered a strategic region. In
addition to being crossed by the city’s three main highways – Linha Vermelha,
Linha Amarela and Avenida Brasil – the complex is next to the international
airport and is bordered by the Bay of Guanabara, which makes it easier to
traffic drugs and weapons.
Two criminal organizations - Terceiro Comando and Comando
Vermelho – and one militia group are operating in the community.
Maré’s residents, who for decades lived under the control of
narco-traffickers and criminal groups, hope the arrival of the Police Pacification Units (UPP) represents the start of a
better future.
Now, the Pacification Forces hope residents take advantage
of the hotline.
“Some trafficking activity remains in Maré so residents fear
being identified, no matter how certain they are that the complaint is
anonymous,” said professor Edson Diniz, the founder and director of Redes de
Desenvolvimento da Maré, a civil society organization that supports community
development.
Diniz said the Pacification Force will need to overcome the
residents’ fears “of crime and the security forces themselves,” suggesting an
ombudsman’s office be created to complement Disque-Pacificação.
“The idea of opening a line of communication is good,” he
added. “But residents will trust it enough to participate only after they have
seen it put into practice.”
Línea telefónica para denunciar delitos beneficia a favelas
Por Flávia Ribeiro para Infosurhoy.com
Las Fuerzas Armadas crearon Disque-Pacificação para que
residentes del Complexo da Maré denuncien delitos de manera anónima y puedan
dejar sugerencias.
RIO DE JANEIRO, Brasil – Una serie de ataques ocurridos el
20 y 21 de abril contra la Fuerza de Pacificación en Complexo da Maré culminó
en una escena horrorosa: un hombre armado, acompañado de al menos un menor en
una motocicleta, disparó contra efectivos del Ejército que no pudieron devolver
los disparos debido a que el sujeto se estaba protegiendo con un escudo humano.
Maré, un complejo de 15 favelas en la Zona Norte de Rio de
Janeiro, continúa siendo un semillero de narcotraficantes, aun después de haber
sido ocupada por el Ejército y la Marina de Brasil. Sin embargo, el Ejército ha
reforzado su ofensiva contra el crimen al mejorar la comunicación con los
aproximadamente 130.000 residentes del complejo.
Disque-Pacificação (3105-9717) es una línea anónima
disponible las 24 horas del día que comenzó a funcionar el 16 de abril y que
seguirá abierta hasta que el Ejército abandone el área, replicando lo que
sucedió con la línea telefónica que se estableció luego de la pacificación del
Complexo do Alemão, en 2010.
“Comenzamos este servicio para que la comunidad pueda
comunicarse con nosotros sobre cualquier problema, desde darnos información
sobre actividades de narcotráfico y crimen organizado hasta denunciar excesos
por parte de nuestros efectivos”, dijo el mayor del ejército Alberto Horita,
portavoz de la Fuerza de Pacificación en Maré. “Por supuesto, haremos lo máximo
posible para evitar que ocurran excesos. Pero si ocurren, queremos que se
denuncien para que podamos tomar las medidas correspondientes”.
Durante las primeras 24 horas de funcionamiento de la línea,
se registraron 25 denuncias, todas ellas vinculadas con el narcotráfico. Podría
parecer una cifra pequeña, pero la Fuerza de Pacificación cree que es una buena
señal, ya que la línea comenzó a funcionar sin que se hiciera publicidad
previa. El servicio fue promocionado mediante anuncios con altoparlantes y
panfletos en las calles.
“La garantía del anonimato es absoluta y los residentes no
tienen por qué tener temor de llamar”, afirmó Horita. “Los residentes se darán
cuenta de esto, verán nuestro trabajo y los resultados de sus denuncias”.
Disque-Pacificação funciona de la misma manera que Disque-Denúncia (2253-1177), un servicio operado por la
sociedad civil para ayudar en la lucha contra el crimen.
Disque-Denúncia ha recibido 1.997.082 denuncias desde su
creación, en 1995, hasta marzo de 2014, según Zeca Borges, el coordinador del
servicio. Disque-Pacificação será usada con más frecuencia a medida que más
residentes se den cuenta que la policía se toma muy en serio sus denuncias.
“Primero, hay que ganarse su confianza; después, se puede
recuperar el área”, dijo Borges. “Lo importante en este trabajo es estar abierto
a escuchar. Hay que valorar lo que se dice debido a que cada llamada representa
un acto cívico de quien la realiza”.
Borges añadió que Disque-Denúncia también continúa estando
disponible para los residentes del Complexo da Maré.
“Lo que yo recomiendo es que hay que llamar, siempre”,
añadió Borges.
El general Roberto Escoto, comandante general de la Fuerza
de Pacificación de Maré, dijo que ha sido más difícil restaurar el orden en
Complexo da Maré debido a que la cantidad de narcotraficantes era mayor que las
estimaciones iniciales.
Se considera a Complexo da Maré como una región estratégica.
Además de que lo atraviesan las tres principales autopistas de la ciudad (Linha
Vermelha, Linha Amarela y Avenida Brasil), el complejo está al lado al aeropuerto
internacional y lo rodea la Bahía de Guanabara, lo que facilita el tráfico de
drogas y armas.
Dos organizaciones delictivas (Terceiro Comando y Comando
Vermelho) y un grupo de autodefensa operan en la comunidad.
Los residentes de Maré, que por décadas vivieron bajo el
control de narcotraficantes y grupos delictivos, esperan que la llegada de las Unidades Pacificadoras Policiales (UPP) represente el comienzo
de un futuro mejor.
Ahora, las Fuerzas de Pacificación esperan que los
residentes aprovechen la línea telefónica.
“Todavía existe actividad de narcotráfico en Maré, por lo
que los residentes tienen temor de ser identificados, sin importar lo seguros
que estén de que la denuncia permanecerá en el anonimato”, dijo el profesor
Edson Diniz, fundador y director de Redes de Desenvolvimento da Maré, una
sociedad civil que trabaja por el desarrollo de la comunidad.
Diniz dijo que la Fuerza de Pacificación deberá luchar
contra los temores por parte de los residentes “al crimen y a las mismas
fuerzas de seguridad”, y sugirió que se creará una oficina de defensoría del
pueblo (ombudsman) para complementar a Disque-Pacificação.
“La idea de abrir una línea de comunicación es buena”,
añadió. “Pero los residentes solo confiarán en el servicio luego de que vean
sus resultados”.
Monday, May 5, 2014
Exército Brasileiro, juntamente com outras forças de segurança, captura Zangado no Complexo da Maré
O Comando da Força de Pacificação Maré informa que no dia 04
de maio de 2014, por volta das 14:15h, fruto de uma operação integrada de
inteligência de diversos órgãos federais e estaduais, militares da Força de
Pacificação e agentes da Polícia Federal, numa ação interagências, efetuaram a
prisão de FABIANO SANTOS DE JESUS (vulgo ZANGADO) e de 02 elementos suspeitos
no Conjunto NOVA ESPERANÇA, no COMPLEXO DA MARÉ. Os três elementos foram
conduzidos para a SUPERINTENDÊNCIA DA POLÍCIA FEDERAL.
ZANGADO é
irmão de MENOR P, um dos principais líderes do TERCEIRO COMANDO PURO (TCP),
natural sucessor de seu irmão e vinha sendo procurado por diversos órgãos de
segurança e ordem pública (OSOP).
Saturday, May 3, 2014
Teleférico do Alemão deveria ficar de fora das visitações turísticas de favelas no Rio
Seria interessante o prefeito repensar sobre a promoção do
roteiro dos teleféricos do Alemão serem incluídos como atração turística desde
já e, no caso da Copa, nem pensar! Desde a saída do Exército da área, no início
de julho de 2012, o Comando Vermelho vem ganhando terreno e confirmando o seu
incremento de poder. Voltaram a ocorrer ordens de fechamento do comércio e
escolas, assim como enfrentamento com policiais.
Realmente, o combate ao crime organizado no Brasil ainda tem
uma longa trajetória a ser percorrida e um dos principais palcos é a cidade do
Rio de Janeiro, onde o número de favelas já está alcançando a incrível marca
dos 4 dígitos.
Friday, May 2, 2014
Emprego da guerra eletrônica no combate ao crime organizado nas favelas do Rio de Janeiro
*Coronel da Reserva Fernando Montenegro
A Força de Pacificação foi instituída para garantir a lei e
a ordem nas comunidades ou favelas e é formada por um contingente de homens e
mulheres, constituído por militares do Exército Brasileiro, da Polícia Militar
e da Polícia Civil do Rio de Janeiro. Segundo registros policiais, a presença
militar nas áreas de operação resultou numa ampla queda dos índices de
criminalidade.
Em novembro de 2010, a Força de Pacificação ocupou uma área
que possuía um perímetro de 16 km, um terreno extremamente acidentado cortado
no sentido leste-oeste pela Serra da Misericórdia, onde eram realizados
justiçamentos dos que não colaboravam com a facção Criminosa Comando Vermelho.
Ao sul da serra temos o Complexo do Alemão e, ao norte, o Complexo da Penha.
Estima-se que chegue a 400 mil o somatório de habitantes dos dois complexos de
labirintos.
Como a ocupação foi feita em estado de normalidade
constitucional, com plena vigência dos direitos e garantias individuais, não
foi autorizado o emprego da escuta de telefone de qualquer espécie. Essa
limitação restringiu o emprego da guerra eletrônica apenas ao monitoramento e
escuta de rádios tipo “Walkie-talkie” de sinal aberto e não criptografado.
Mesmo assim, por ser um sistema de comunicações barato de
manter e com logística bastante simples, foi de grande valia o acompanhamento
dessa rede de comunicações. A condução das atividades de comunicações
clandestinas pelo Comando Vermelho nos Complexos do Alemão e da Penha valiam-se
de técnicas táticas e procedimentos típicos da guerra irregular, caracterizando
um conflito de guerra assimétrica no coração do Rio de Janeiro.
A finalidade da guerra eletrônica é a de empregar
militarmente a eletrônica, valendo-se de ações que reduzam ou eliminem a
eficiência ou o uso do espectro eletromagnético pelas forças adversas e
garantam a eficiência do uso daquele espectro pelas forças amigas.
Já nas últimas décadas do século passado, as operações de
guerra eletrônica passaram a fazer parte das operações militares.
Além do acompanhamento especializado da transmissão dos
sinais, quando era conveniente à Força de Pacificação do Exército, eram
realizadas interferências na rede-rádio do Comando Vermelho, visando reduzir a
capacidade de comando e controle dos líderes pelo enfraquecimento ou até pelo
total silêncio dos seus meios de comunicações por rádio, em momentos críticos.
Por parte da tropa, não foi explorado o envio de mensagens falsas; entretanto,
fortes indícios permitem concluir que em algumas ocasiões o crime organizado
identificou que poderia estar sendo monitorado e realizou a transmissão de
mensagens falsas. Em uma delas, por exemplo, fingia-se estar providenciando a
retirada de um fuzil subtraído da Força de Pacificação. Graças ao controle
absoluto do armamento, rapidamente verificou-se que a mensagem era falsa.
Inicialmente, as atividades da guerra eletrônica foram
conduzidas por militares especializados e em estreita ligação com a
inteligência. Após algum tempo, passou-se a manter na mesma instalação um
militar da tropa, visando direcionar, em tempo real, os militares que estavam
no terreno, otimizando as ações. Esse procedimento gerou excelentes resultados,
pois se valia do princípio da oportunidade, mesmo negligenciando a avaliação de
um analista de inteligência, pois a integração passava a ser vinculada à
inteligência humana.
Nos primeiros sete meses, não houve emprego de guerra
eletrônica porque não haveria como garantir a segurança do equipamento
disponível. Naquela oportunidade, o sítio de antenas ocuparia uma extensão de
90 metros no alto da Serra da Misericórdia. Somente após a aquisição de
equipamentos mais compactos foi possível instalá-los sigilosamente no interior
da área de operações em instalações ocupadas permanentemente pelas tropas,
sendo o acesso extremamente restrito.
Três equipamentos foram instalados de maneira a possibilitar
uma triangulação e apontar com precisão os locais de transmissão. A equipe de
subtenentes e sargentos coletava as informações e os oficiais analistas
analisavam as gravações para apresentar conclusões que integrariam a
inteligência do sinal.
É interessante reforçar que a inteligência do sinal somente
foi potencializada quando passou a ser utilizada de forma integrada com as
outras fontes de inteligência para reforçar uma ideia já levantada, por exemplo,
pela inteligência humana, ou para abrir um caminho para a inteligência humana
buscar mais dados.
O emprego da inteligência do sinal resultou em diversos
resultados:
• Identificação do emprego de mensagens clandestinas tipo
BTB (Blind Transmission Broadcasting); normalmente as atividades da rede rádio
eram encerradas imediatamente após a transmissão de uma gravação da invasão do
Complexo da Penha, normalmente por volta de 00h00min;
• Identificação das frequências usadas pelos olheiros e
fogueteiros;
• Levantamento dos indicativos utilizados e respectiva
localização;
• Levantamento das gírias e mensagens pré-estabelecidas
usadas, visando mascarar a atividades que não podiam ser transmitidas em claro;
• Identificação da existência de um controlador e
disciplinador da rede de transmissões;
• Identificação dos horários e locais de funcionamento dos
principais pontos de venda de drogas (início da noite e início da madrugada);
• Levantamento da existência de uma escala de serviço para
observar a movimentação da tropa e para o comércio de drogas;
• Identificação da existência de um serviço de preparo e
entrega de refeições para os olheiros (conduzido por moradores colaboradores);
• Levantamento da existência de um sistema de segurança das
comunicações;
• Identificação de que apenas o escalão mais baixo da
hierarquia do tráfico fazia uso do sistema “Walkie-talkie”.
A integração das atividades de guerra eletrônica, o disque
denúncia e as patrulhas a pé (inteligência humana) foram as grandes fontes de
informação que colaboraram para o mapeamento dos locais com maior incidência de
ilícitos e para a divisão da área de operações em verde, amarela e vermelha.
Visando incrementar a eficiência da tropa no terreno, foram
adquiridos para os comandantes de patrulhas equipamentos “Walkie-talkie” com
fone de ouvido. Esse rádio de simples aquisição e reposição permitiu à tropa
realizar várias prisões em flagrante por valer-se da oportunidade.
O emprego inédito e pioneiro dessa prática ampliou a
capacidade de atuação das tropas de infantaria no terreno, otimizou as análises
de inteligência e merece ser estudada visando a identificação das oportunidades
de melhoria para operações futuras dentro de aglomerados urbanos.
*Fernando Montenegro é Coronel/R1 do Exército brasileiro, de
Forças Especiais, Comandos e Paraquedista, especialista em Contraterrorismo, e
por duas vezes comandante de uma Força Tarefa Valor Batalhão de Infantaria
Leve.
Use of Electronic Warfare to Fight Organized Crime in Rio's Shanty Towns (Favelas)
*Retired Brazilian Colonel Fernando Montenegro
Brazil’s Peacekeeping Force was established to ensure law
and order in communities or slums, and it is comprised of men and women,
including military members of the Brazilian Army, Military Police, and Civil
Police of Rio de Janeiro. According to police records, the military presence in
the areas of operation resulted in a significant decrease in crime rates.
In November 2010, the Peacekeeping Force occupied a 10-mile
perimeter of an extremely rough territory cut horizontally by the Serra da
Misericórdia mountain range that the Comando Vermelho criminal group used to
execute those who did not collaborate with them. The Complexo do Alemão favela
is located on the southern part of the mountain and the Complexo da Penha to
the north, with an estimated 400,000 residents in the mazes of both slums.
Because the occupation was performed in a state of
constitutional normalcy, with full exercise of rights and individual
guarantees, telephone tapping of any kind was not authorized. This limitation
restricted the use of electronic warfare to monitoring and listening only with
devices such as two-way open-signal and unencrypted radios.
Still, as the maintenance of this communication system was
cheap and the logistics very simple, the monitoring of this communication
network was valuable. The activities of clandestine communications by the
Comando Vermelho at the Complexo do Alemão and Complexo da Penha favelas used
tactical techniques and procedures typical of an irregular war, characterizing
an asymmetric war conflict in the heart of Rio de Janeiro.
The purpose of using electronic warfare is to employ
military electronics in the field, using actions that will reduce or eliminate
the efficiency or the use of electromagnetic spectrum by adverse forces and to
ensure the efficiency of the use of that spectrum by the friendly forces.
However, in previous decades of last century, electronic
warfare operations became part of military operations.
Besides the specialized monitoring of the signal
transmissions, the Army Peacekeeping Force would interfere in the Comando
Vermelho’s radio network whenever it was convenient, to reduce the capability
of the command and control by their leaders through weakening or even completely
silencing their communication system via radio during critical moments. The
transmission of false messages was not explored by the troops; however, strong
indications lead to the conclusion that on some occasions the criminals
identified the monitoring and intentionally transmitted false information. For
instance, one of them pretended to be transporting a stolen rifle from the
Peacekeeping Force. Thanks to the absolute control of the weaponry, it was
quickly verified that it was a false message.
Initially, electronic warfare activities were conducted by
specialized military members in close connection with intelligence. After some
time, a military troop was kept within the same facility to direct the Soldiers
who were in the territory in real time, thereby improving their actions. This
procedure created excellent results because it took advantage of the
opportunities available, even though it was neglecting the evaluation of an
intelligence analyst, because the integration was linked to human intelligence.
During the first seven months, electronic warfare was not
used because the security of the available equipment could not be guaranteed.
At that opportunity, various antennas would occupy a 295-foot extension at the
top of Serra da Misericórdia. Only after acquiring more compact equipment it
became possible to secretly install them inside highly restricted areas of
operations of facilities permanently occupied by the troops.
Three pieces of equipment were installed to allow
triangulation and to precisely aim at the transmission locations. The sergeant
major and sergeant teams collected the information and the analyst officers
analyzed the recorded material to offer solutions to integrate the signal
intelligence.
It is important to emphasize that the signal intelligence
was only maximized once it became integrated with other intelligence sources to
strengthen the idea that has already been brought up, for instance, by human
intelligence, or to open a way for human intelligence to seek more data.
The use of signal intelligence resulted in several outcomes:
• Identification of the use of BTB (Blind Transmission
Broadcasting) type clandestine messages; normally the activities of the radio
network were closed immediately after the transmission of a recording from the
invasion of the Complexo da Penha favela, normally around midnight;
• Identification of the frequencies used by the scouts and
sentinels
• Picking up signs used and their respective location;
• Picking up slang and pre-established messages used to
disguise the activities that should not be transmitted openly;
• Identification of the presence of a controller and
regulator in the transmission networks;
• Identification of the schedules and locations of the main
points of drug trade (early evening and early morning hours);
• Investigation on the existence of a service scale to
observe the movement of the troops and for the drug trade;
• Identification of the existence of a preparation and meal
delivery service to the observers (led by the collaborating residents);
• Identification of the existence of a communications
security system;
• Identification that only the lowest level of drug
trafficking hierarchy used the two-way radio system;
The integration of electronic warfare activities, the
hotline and the patrols on foot (human intelligence) were the major sources of
information that contributed to the mapping of the locations of the highest
crime rate and for the color-coding of the area of operations in green, yellow,
and red.
In order to improve troop efficiency in the territory,
two-way radios with headphones were purchased for the patrol commanders. This
radio, which was simple to purchase and replace, created the opportunity for
many caught-in-the-act arrests.
The unprecedented use of this technique increased the
capabilities of the infantry troops to act in the territory, optimized
intelligence analysis and deserves further study to identify the opportunities
for improvement on future operations within urban limits.
*Fernando Montenegro is a Brazilian Army Retired Colonel, of
Special Forces, Commands, and Paratroopers, specialized in Counter-terrorism,
and twice commander of the Light Infantry Battalion Task Force
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